O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou, nesta quarta‑feira (9), uma ação civil pública contra a mineradora Vale (VALE3), a Agência Nacional de Mineração (ANM) e o governo de Minas Gerais, buscando a reparação dos impactos ambientais provocados por um vazamento de água e sedimentos ocorrido na Mina de Viga, em Congonhas, no início de 2026.

Segundo a denúncia, o episódio comprometeu estruturas da barragem e levou sedimentos para rios da região, o que gerou a necessidade de um acompanhamento técnico rigoroso. Por isso, o MPF solicita que a Vale custeie uma auditoria técnica independente, sem vínculo com a empresa, para monitorar as medidas de segurança e as ações de recuperação.

Decisão da ANM e bloqueio de recursos

Após o incidente, a ANM realizou inspeções e determinou a paralisação total da mineração, apontando fragilidades na infraestrutura e falta de comprovação de segurança operacional. Em paralelo, o MPF pediu o bloqueio de R$ 200 milhões da Vale, como garantia para eventuais custos de reparação, e a suspensão da transferência de direitos minerários.

Antes de ingressar com a ação, o MPF promoveu reuniões com representantes da Vale, do Ministério Público de Minas Gerais (MP‑MG) e de órgãos ambientais, na tentativa de chegar a um acordo. A mineradora, entretanto, não assinou o documento apresentado nas discussões.

Em nota, a Vale alegou ainda não ter tido conhecimento formal da ação e ressaltou que continua cumprindo o acordo firmado com o MP‑MG e o Estado de Minas Gerais, bem como as tratativas com o MPF para um acordo extrajudicial, mantendo as medidas de recuperação da área em consonância com as autoridades.

A ANM informou que segue acompanhando o caso, focando na análise do pedido de desinterdição da Mina de Viga, que inclui vistorias presenciais, avaliação de documentos técnicos e verificação do cumprimento das exigências regulatórias.

O episódio repercutiu no mercado financeiro, com o Ibovespa registrando queda e as ações da Vale recuando cerca de 3 %. Analistas apontam que a situação evidencia os riscos ambientais associados à mineração e a importância de mecanismos de fiscalização independentes para proteger os recursos hídricos.